Milhares de pessoas foram às ruas no Irã neste domingo (11) e segunda-feira (12) em manifestações de apoio ao regime da República Islâmica. Os atos tiveram como foco a crítica aos distúrbios que abalam o país há semanas e à suposta interferência estrangeira, em um cenário de crescentes tensões internacionais.
As mobilizações pró-governo ocorrem em meio a uma onda de protestos antigovernamentais que teve início em dezembro de 2017, motivados inicialmente por questões econômicas. Levantamentos não oficiais apontam que esses confrontos resultaram na morte de 490 manifestantes e 48 agentes das forças de segurança.
Governo Iraniano Acusa Sabotagem e Interferência Externa
O governo iraniano tem divulgado vídeos que, segundo as autoridades, mostram manifestantes armados e encapuzados promovendo atos de vandalismo, como destruição de carros e prédios, além de bloqueios de ruas. Essas ações são classificadas por Teerã como sabotagem organizada, ultrapassando os limites do protesto pacífico.
Em resposta aos apoios internacionais aos protestos, o Ministério das Relações Exteriores do Irã convocou embaixadores de países que se manifestaram, apresentando-lhes as imagens como prova. O presidente iraniano Masoud Pezeshkian, em entrevista à TV estatal, afirmou que protestos pacíficos são tolerados, mas os distúrbios recentes seriam orquestrados por “terroristas do estrangeiro”, citando a morte violenta de policiais.
Pressão dos EUA e Acusações Mútuas
A situação foi agravada por declarações do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que chegou a sugerir uma invasão para “ajudar” os manifestantes e indicou que os militares americanos avaliavam “opções muito sólidas” de ação no Irã. Trump mencionou a possibilidade de agir antes de uma reunião com lideranças de Teerã.
Autoridades iranianas acusam os serviços secretos dos EUA (CIA) e de Israel (Mossad) de incitar e promover os distúrbios, com o objetivo de provocar uma nova guerra ou derrubar o regime islâmico, após supostas falhas em tentativas anteriores.
Contexto Econômico e Geopolítico da Crise
Segundo o jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, os protestos iniciais, que começaram no final de 2017, foram desencadeados pelo fim de subsídios à importação de alimentos, resultando em aumento do custo de vida. Ele observa que a repressão inicial foi mínima, e os movimentos se inseriam numa disputa interna sobre a política econômica.
Rocha avalia que a escalada da violência nos distúrbios e as ameaças externas, como a de bombardeio pelos EUA, isolaram os protestos antigovernamentais. Para ele, a questão da soberania nacional, evocada pelas forças do regime, mobilizou parte da população. O especialista também aponta que a ação de grupos separatistas, a frustração de jovens e incentivos externos com o objetivo de pôr fim à República Islâmica contribuíram para a radicalização.
Ainda de acordo com Rocha, desde a Revolução de 1979, o Irã assumiu o controle de sua cadeia produtiva de petróleo, usando-o como instrumento de desenvolvimento nacional. Essa autonomia, na análise do cientista político, posiciona o país como um alvo permanente de forças que buscam sua subordinação à hegemonia ocidental.













