Sanções dos EUA são Fator Chave no Colapso Econômico da Venezuela, dizem Especialistas

Sanções dos EUA são Fator Chave no Colapso Econômico da Venezuela, dizem Especialistas

As sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos à Venezuela contribuíram significativamente para o colapso financeiro do país e o agravamento da crise humanitária. Estudos e análises apontam que essas medidas, designadas como coercitivas, desempenham um papel central na deterioração das condições de vida e no êxodo populacional.

Historicamente, cercos econômicos prolongados têm sido empregados como ferramentas de política externa para pressionar ou derrubar governos. A economista e socióloga Juliane Furno (Uerj) destaca que o objetivo é "asfixiar experiências políticas" que fogem ao controle de potências, buscando gerar descontentamento social e eventual mudança de regime. A Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo do planeta, é alvo dessas medidas sob alegações de proteção de direitos humanos, defesa da democracia e combate ao narcotráfico.

O Bloqueio Financeiro e Comercial

O embargo econômico contra a Venezuela se manifestou de diversas formas: obstruiu o financiamento da indústria petroleira, impôs restrições ao refinanciamento da dívida do país, dificultou transações monetárias internacionais e congelou ativos venezuelanos no exterior, transferindo alguns para controle da oposição.

Washington colocou sob suspeita todas as transações vinculadas à Venezuela, resultando no bloqueio de canais financeiros com instituições de outras nações. Entre as ações mais impactantes, o Banco Central da Inglaterra confiscou 31 toneladas de ouro venezuelano, avaliadas em US$ 1,2 bilhão, e a justiça dos EUA liquidou a Citgo, filial da estatal PDVSA, para servir como ativo a credores internacionais, medida classificada por Caracas como "roubo".

Linha do Tempo da Crise e Impacto das Sanções

A Venezuela enfrentou uma recessão severa entre 2013 e 2022, que consumiu aproximadamente 75% do seu Produto Interno Bruto (PIB) e impulsionou a migração de mais de 7,5 milhões de pessoas – cerca de 20% da população. Enquanto a recessão começou no segundo semestre de 2014, as primeiras sanções abrangentes foram adotadas em agosto de 2017, durante o governo Donald Trump, restringindo o acesso venezuelano ao mercado financeiro norte-americano.

Novas sanções foram implementadas entre 2018 e 2020, atingindo os comércios de ouro, minérios, petróleo e diesel. Além disso, os Estados Unidos aplicaram "sanções secundárias", penalizando empresas de outros países que negociavam com a Venezuela, ampliando o isolamento econômico.

Análise dos Especialistas

Especialistas divergem sobre a proporção da responsabilidade entre a gestão dos governos chavistas e as sanções dos EUA. O economista venezuelano Francisco Rodríguez, professor da Universidade de Denver e crítico dos governos chavistas, reconhece a influência da gestão interna na recessão antes de 2017. No entanto, ele pondera que o embargo econômico desempenhou um papel "significativo" no aprofundamento da crise.

As pesquisas de Rodríguez apontam que as sanções têm sido um dos principais fatores para o colapso econômico da Venezuela e o declínio dos padrões de vida desde 2012. Segundo ele, as medidas influenciaram os padrões migratórios ao interromperem as receitas do petróleo, essenciais para financiar importações. Rodríguez calculou que a reimposição de sanções de pressão máxima poderia levar à emigração de mais 1 milhão de venezuelanos nos próximos cinco anos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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