Sob forte pressão do governo dos Estados Unidos, a operação que visa reestruturar o controle do TikTok no país, com a participação da Oracle, se encaminhava para uma consolidação. O movimento transfere a gestão de dados e parte do poder de decisão da empresa chinesa ByteDance para companhias alinhadas aos interesses americanos, mantendo, contudo, uma participação minoritária da ByteDance.
A negociação remonta ao primeiro mandato do ex-presidente Donald Trump, que pautou o tema como recorrente em sua campanha. A proposta estabelece que o controle de dados sairá das mãos da empresa chinesa para companhias parceiras nos EUA. Entre elas estão a Oracle, responsável pela gestão do armazenamento de dados, e o fundo MGX, ligado à família real dos Emirados Árabes Unidos. A ByteDance, controladora original, manterá 20% de participação na nova estrutura.
A transação foi estimada em US$ 14 bilhões. O TikTok, uma das maiores plataformas digitais globais, é a quarta maior nos Estados Unidos, contando com aproximadamente 170 milhões de usuários.
Pressão e Posições Envolvidas
A ByteDance, empresa-mãe do TikTok, defendeu a transparência de suas operações e sua independência do governo chinês. A companhia alegava que o governo chinês detém uma participação minoritária, enquanto 60% do capital está distribuído entre fundos internacionais como Blackrock, General Atlantic e Susquehanna. Outros 20% do capital são pulverizados entre seus funcionários, incluindo os sete mil empregados nos Estados Unidos, e os 20% restantes pertencem aos fundadores, entre eles Zhang Yiming.
Em resposta à 'Guerra do TikTok', o governo chinês manifestou sua expectativa de que as partes envolvidas chegassem a uma solução que estivesse em conformidade com as leis e regulamentos chineses, buscando um equilíbrio de interesses. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério do Comércio, He Yongqian, em dezembro, quando as negociações foram anunciadas.
Incertezas e Impactos na Plataforma
Entre as informações que circulavam na mídia especializada, uma das incertezas era se a mudança abrangeria não apenas os servidores, mas o próprio aplicativo do TikTok. Tal alteração poderia gerar impactos desconhecidos na estrutura, aparência e funcionalidades da plataforma, levantando questões sobre a transição de dados e a possível comunicação da nova arquitetura com o TikTok em outros países.
A pesquisadora Andressa Michelotti, especialista em regulação e desinformação, levantou questionamentos sobre o futuro da plataforma. Ela ponderou se o TikTok dos Estados Unidos se desmembraria em uma plataforma à parte, como ocorreria a transição dos dados e de que forma os dados de usuários americanos seriam acessados em servidores de outras regiões, como Europa ou América Latina. Michelotti sugeriu que uma 'balcanização' – isolamento em plataformas locais – era um dos caminhos possíveis.
A especialista também avaliou que o TikTok poderia se transformar em uma empresa 'completamente diferente, menos interessante', com potenciais mudanças de design e elementos que poderiam espelhar mais plataformas americanas. Segundo ela, a alteração não se restringe a uma 'chave algorítmica', mas envolve moderadores de conteúdo e políticas da plataforma. A transparência da nova gestão é apontada como fator determinante para o futuro.
Liderança e Operações Locais
Larry Ellison, figura proeminente na participação da Oracle no negócio, foi publicamente associado a interesses de governantes. Ellison integra o grupo de grandes empresários que mantêm alinhamento com figuras políticas, em um contexto que já incluiu nomes como o ex-presidente da Meta, Mark Zuckerberg, e o dono da SpaceX, Elon Musk, próximos ao então governo Trump.
O TikTok já opera com empresas locais em diversas regiões, impulsionado por regulações nacionais específicas. Exemplos incluem operações independentes para o Reino Unido e os próprios Estados Unidos, além de outras empresas em diferentes mercados.













