Lula defende união do Sul Global para reconfigurar lógica econômica mundial

Lula defende união do Sul Global para reconfigurar lógica econômica mundial

Em viagem pela Ásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, neste domingo (22), a união dos países em desenvolvimento, em especial os do chamado Sul Global, para "mudar a lógica econômica" mundial. A declaração foi feita na Índia, antes de sua partida para a Coreia do Sul.

Lula enfatizou a importância de países com menor desenvolvimento se unirem para negociar com superpotências. Ele citou uma "experiência colonial de 500 anos" que, segundo o presidente, mantém nações como Brasil e Índia "colonizadas do ponto de vista tecnológico e econômico". O presidente sugeriu que parcerias entre países com similaridades podem fortalecer o Sul Global.

Aposta nos BRICS

O presidente avaliou que o BRICS tem um papel crucial nessa nova lógica econômica. Descrevendo o bloco como "ganhando uma cara" e antes "marginalizado", Lula mencionou a criação de um banco próprio pelo grupo. Ele rechaçou a ideia de uma nova Guerra Fria e negou a intenção de criar uma moeda única para o BRICS, reiterando que a proposta é negociar o comércio com moedas próprias para reduzir dependências e custos.

Multilateralismo e ONU

Lula reforçou a defesa do multilateralismo e do fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), visando à recuperação de sua legitimidade e eficácia em manter a paz e a harmonia global. O presidente citou conflitos em Venezuela, Gaza e Ucrânia, ressaltando a necessidade da ONU para evitar interferências unilaterais de qualquer país.

Diálogo com os Estados Unidos

O presidente indicou que parcerias com os Estados Unidos são possíveis, especialmente no combate ao crime organizado transnacional, como o narcotráfico. Ele manifestou a disposição do Brasil em atuar na linha de frente e reivindicar a extradição de criminosos brasileiros nos EUA.

Sobre a América do Sul e Caribe, Lula defendeu uma relação respeitosa por parte dos EUA com a região, que ele descreveu como pacífica e em busca de crescimento econômico. Ele mencionou a intenção de discutir o papel dos EUA na região com Donald Trump em um futuro encontro, questionando se seria de "ajuda ou ameaça". Lula finalizou reforçando a necessidade global de tranquilidade para combater a fome e a violência contra mulheres, apontando o atual momento como o de maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial.

O presidente também comentou sobre a taxação imposta pelos EUA, derrubada recentemente pela Suprema Corte estadunidense, afirmando que não cabe ao presidente do Brasil julgar decisões de outras nações.

Balanço da Visita à Índia

Lula destacou a conversa "extraordinária e exitosa" com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que focou na relação comercial e no fortalecimento das economias dos dois países. As reuniões com empresários indianos que investem no Brasil também foram classificadas como muito positivas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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