As negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano sofreram uma drástica reviravolta em apenas 48 horas, conforme revelado pelo mediador do diálogo. A rápida deterioração do cenário diplomático culminou em ataques militares conjuntos dos EUA e Israel a cidades iranianas, resultando em centenas de mortos e feridos neste sábado (28).
Neste sábado (28), cidades iranianas foram alvo de uma ofensiva militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel. A ação resultou na morte de ao menos 201 pessoas e deixou 747 feridas, de acordo com o Crescente Vermelho. Entre as vítimas, 85 alunas foram mortas em uma escola bombardeada no sul do Irã. Israel, por sua vez, afirmou ter utilizado cerca de 200 caças para atingir mais de 500 alvos no país.
O Mediador e a Cronologia da Tensão
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr AlBusaidi, atuou como mediador nas conversas entre Washington e Teerã. Suas publicações na rede social X (antigo Twitter) documentaram a esperança inicial e o subsequente colapso das negociações.
Fevereiro de 2025: Do Otimismo à Consternação
Em <b>22 de fevereiro</b>, AlBusaidi anunciou com otimismo uma rodada de conversas em Genebra, Suíça, agendada para o dia 26 do mesmo mês, destacando um 'impulso positivo para buscar a finalização do acordo'.
No dia <b>26 de fevereiro</b>, o ministro reportou 'progresso significativo' nas negociações, indicando que discussões técnicas prosseguiriam na semana seguinte em Viena e que os negociadores retornariam para consultas.
Em <b>27 de fevereiro</b>, AlBusaidi publicou um encontro com o vice-presidente americano, J.D. Vance, afirmando terem compartilhado detalhes do progresso. Ele expressou gratidão pelo engajamento e a esperança de 'avanços adicionais e decisivos', declarando que 'a paz estava ao nosso alcance'. No mesmo dia, em entrevista à CBS News, o mediador defendeu um acordo sem armas nucleares, com 'estoque zero' e 'verificação abrangente'.
Contrariando o otimismo, em <b>28 de fevereiro</b>, após os ataques, o mediador declarou-se 'consternado'. Ele afirmou que 'negociações ativas e sérias foram mais uma vez prejudicadas' e que a situação não atendia 'nem os interesses dos Estados Unidos nem a causa da paz global'. AlBusaidi apelou aos EUA para 'não se deixar arrastar ainda mais', concluindo que 'esta não é a sua guerra'.
Histórico do Programa Nuclear Iraniano
O programa nuclear do Irã é uma fonte de tensão internacional há anos. Enquanto Teerã sustenta que seus objetivos são exclusivamente pacíficos, Estados Unidos e aliados, como Israel, acusam o país de buscar fins militares.
Em 2015, o governo do então presidente americano Barack Obama firmou um acordo com o Irã, que aceitava limitar sua capacidade de enriquecimento de urânio em troca de alívio de sanções econômicas. O nível de enriquecimento de urânio é um fator determinante para a finalidade de um programa nuclear. Em 2018, o então presidente Donald Trump retirou os EUA do acordo. No entanto, em 2025, Trump sinalizou a necessidade de um novo pacto, levando o Irã novamente à mesa de negociações, com Omã atuando como mediador.
Implicações Geopolíticas e o Estreito de Ormuz
Omã, país vizinho ao Irã, desempenha um papel estratégico, abrigando parte do Estreito de Ormuz. Esta passagem marítima é vital para o comércio global de petróleo, por onde transita cerca de 20% da produção mundial. Analistas expressam receio de que, em retaliação aos ataques, o Irã possa bloquear o Estreito, o que provocaria uma escalada drástica nos preços internacionais da commodity.













