Misoginia Digital: Ódio Online Contra Mulheres Aumenta e Repercute na Sociedade Brasileira

Misoginia Digital: Ódio Online Contra Mulheres Aumenta e Repercute na Sociedade Brasileira

A misoginia online tem apresentado um crescimento alarmante no Brasil, manifestando-se em ameaças, vazamento de dados e deepfakes pornográficos contra mulheres nas redes sociais. Este fenômeno, que gera engajamento e lucros para plataformas e agressores, é o tema central de um programa da TV Brasil, que investiga suas complexas ramificações e o impacto na vida das vítimas.

Escalada da Violência Digital e seus Desdobramentos

Ataques digitais contra mulheres são um reflexo amplificado da violência de gênero na sociedade, agravados pela monetização do discurso de ódio na internet. Esse ambiente virtual se tornou um espaço para o fomento de ideologias misóginas que transformam mulheres em alvos permanentes.

Dados recentes sublinham a gravidade da situação. Um levantamento do Desinfo.pop, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), revelou um aumento de quase 600 vezes no envio de conteúdo misógino em 85 comunidades virtuais monitoradas entre 2019 e 2025. Complementarmente, a Safernet, uma ONG de referência em direitos digitais, registrou um crescimento de 220% nas denúncias de crimes online de misoginia no período de 2024 a 2025.

Embora não seja possível estabelecer uma correlação direta com o aumento do discurso de ódio na internet, o Ministério de Justiça e Segurança Pública indicou que o Brasil atingiu recorde em casos de feminicídio em 2025, com uma média de quatro mulheres mortas por dia. Esse dado reforça o cenário de aumento da violência de gênero, que transcende as telas digitais.

Vítimas e o Impacto do Ódio Online

A musicista Bruna Volpi é uma das vítimas que teve sua vida impactada, sendo ameaçada e tendo seus dados vazados após ironizar o comportamento masculino nas redes. Ela alerta sobre o perigo de homens que se ofendem quando mulheres reivindicam o direito de viver plenamente. A pesquisadora Julie Ricard aponta que homens podem se sentir atacados pelo poder conquistado pelas mulheres, e a escritora Márcia Tiburi complementa que a recusa feminina aos papéis tradicionais é interpretada como um ataque à masculinidade.

O caso da ativista e blogueira feminista Lola Aronovich ilustra a persistência e a gravidade dos ataques. Vítima há mais de 15 anos, ela foi alvo de difamação e vazamento de dados, resultando na condenação de dois homens, sendo um deles o primeiro a ser preso no país por terrorismo digital, cumprindo 41 anos de prisão. Este caso impulsionou a criação da Lei 13.642/2018, conhecida como Lei Lola, que atribuiu à Polícia Federal a investigação de crimes digitais misóginos.

O delegado Flávio Rolim, coordenador de Combate a Crimes Cibernéticos de Ódio da Polícia Federal, descreve esses crimes como "discursos e postagens que normalizam a violência e fomentam práticas extremas, como homicídios e estupro, contra a mulher".

Desafios na Moderação de Plataformas e a Urgência Legislativa

A atuação das plataformas digitais também é um ponto crítico. Em janeiro, a Meta, controladora de Facebook, Instagram e Threads, permitiu acusações de "anormalidade mental relacionadas a gênero ou orientação sexual". A pesquisadora Julie Ricard criticou a medida, interpretando-a como um retrocesso à "liberdade de expressão" inicial das empresas, visando justificar menor moderação em temas de minorias, pois "ódio gera engajamento".

No Brasil, ainda não existe uma lei específica que criminalize a misoginia. Essa lacuna legal afeta mulheres como a comentarista e analista de games Layze Pinto Brandão (Lahgolas) e a jornalista esportiva Luciana Zogaib, que frequentemente sofrem com o discurso de ódio em áreas predominantemente masculinas. Lahgolas destaca que uma legislação robusta coibiria os agressores, fazendo-os "pensar duas vezes" antes de praticar tais atos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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