Cuba Completa Três Meses Sem Combustível Sob Bloqueio Energético dos EUA

Cuba Completa Três Meses Sem Combustível Sob Bloqueio Energético dos EUA

Havana, Cuba – A ilha de Cuba completou três meses sem receber qualquer carga de combustível, em meio a um bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos. A medida norte-americana, que ameaça sancionar países que vendam petróleo à nação caribenha, tem provocado graves apagões e afetado drasticamente a rotina da população.

Impacto Crescente na Vida Cubana

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reportou que a escassez de combustível tem resultado em blecautes que chegam a 30 horas em alguns municípios. Ele lamentou o "impacto imensurável" na vida da população, destacando que dezenas de milhares de cirurgias, muitas delas envolvendo crianças, estão adiadas devido à falta de energia. Cerca de 80% da eletricidade do país é gerada por termelétricas dependentes de combustíveis importados.

Diálogo e Medidas Internas

Díaz-Canel informou que Havana iniciou conversações preliminares com representantes do governo dos EUA, com mediação de atores internacionais, buscando uma possível solução para as diferenças bilaterais. O governo cubano manifestou a intenção de manter o diálogo, pautado pela igualdade e respeito à soberania.

Internamente, o governo cubano tem implementado medidas para mitigar a crise, incluindo o aumento da produção local de petróleo, a expansão de usinas solares e o incentivo ao uso de carros elétricos. Apesar desses esforços, que amenizaram a frequência dos apagões diurnos, o presidente reconhece a necessidade de petróleo importado para manter serviços essenciais como saúde, educação, transporte e a distribuição de energia.

Ações e Posição dos EUA

O bloqueio energético foi intensificado a partir do final de janeiro, quando o então presidente dos EUA, Donald Trump, editou uma Ordem Executiva. O documento classificou Cuba como uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança de Washington, justificando-se no alinhamento de Havana com Rússia, China e Irã. Esta decisão prevê a imposição de tarifas comerciais a qualquer país que forneça ou venda petróleo à ilha. Anteriormente, Trump já havia proferido ameaças ao governo cubano, sugerindo uma "mudança em breve" no país.

Cotidiano da População Afligido

Residentes de Havana descrevem o período atual como o "pior momento" já vivido, com o endurecimento do bloqueio. Além dos frequentes apagões, a população enfrenta a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e a diminuição da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. A situação é ainda mais crítica nas províncias do interior da ilha, onde os blecautes podem durar quase o dia todo. O embargo econômico dos EUA contra Cuba persiste há 66 anos, desde as primeiras medidas após a Revolução Cubana de 1959.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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