Aviões de guerra israelenses bombardearam o centro de Beirute na madrugada desta quarta-feira (18), marcando uma das mais intensas ofensivas aéreas na capital libanesa em décadas. Os ataques, que destruíram edifícios residenciais, ocorrem em meio a uma significativa escalada do conflito regional, que já resultou na morte de importantes autoridades iranianas e retaliações com mísseis contra Israel.
Escalada do Conflito
A intensificação dos ataques em Beirute segue uma série de eventos críticos. Israel confirmou ter matado o chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, e, posteriormente, o ministro da Inteligência, Esmail Khatib. Estas mortes sucedem a do líder supremo Ali Khamenei, ocorrida no primeiro dia do conflito.
Em resposta, o Irã confirmou a morte de Larijani e lançou mísseis contra Israel, que, segundo autoridades israelenses, mataram duas pessoas perto de Tel Aviv. Teerã afirmou que a perda de suas autoridades não prejudicará suas operações, com o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, declarando que o sistema político iraniano é sólido e não depende de um único indivíduo.
Após quase três semanas do início do conflito, não há sinais de desescalada. O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, rejeitou propostas para diminuir as tensões, exigindo que Estados Unidos e Israel sejam "colocados de joelhos", conforme relatado por uma autoridade iraniana não identificada.
Ataques em Beirute e Israel
No distrito de Bachoura, no centro de Beirute, Israel alertou moradores para deixarem um prédio que, segundo o país, era utilizado pelo Hezbollah. O edifício foi completamente destruído. Vídeos de testemunhas verificados pela Reuters mostraram a estrutura desmoronando e bombeiros trabalhando nos escombros fumegantes.
Em outros distritos centrais, ataques atingiram edifícios de apartamentos sem aviso prévio, resultando na morte de pelo menos dez pessoas, de acordo com autoridades libanesas. Moradores relataram fumaça saindo de prédios e carros destruídos nas ruas.
Dentro de Israel, um míssil iraniano abriu uma cratera na calçada e incendiou carros em uma área residencial de Holon, ao sul de Tel Aviv. Uma moradora descreveu ter ouvido um "estrondo louco" após o alarme e visto chamas.
Israel também intensificou ataques no Líbano, realizando uma ofensiva terrestre no sul em busca do grupo Hezbollah, que, apoiado pelo Irã, tem disparado na fronteira. O Exército israelense reconheceu ter atingido por engano uma base da ONU com um tanque, ferindo três soldados de paz de Gana.
Vítimas e Impacto Regional
Autoridades libanesas reportam 900 mortos e 800 mil deslocados internos no país. O grupo iraniano de Direitos Humanos HRANA, com sede nos EUA, informou mais de 3 mil mortos no Irã desde o início dos ataques israelenses e norte-americanos no final de fevereiro. Ataques iranianos também resultaram em mortes no Iraque e em países do Golfo. Em Israel, 14 pessoas morreram.
Estados Unidos e Israel afirmam que o objetivo da guerra é impedir que o Irã projete força além de suas fronteiras e destruir seus programas nucleares e de mísseis. A interrupção sem precedentes no fornecimento global de energia, com a alta dos preços do diesel, adicionou riscos políticos para o presidente dos EUA, Donald Trump.













