Copom se reúne e mercado prevê corte da Selic apesar da alta do petróleo

Copom se reúne e mercado prevê corte da Selic apesar da alta do petróleo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta quarta-feira (18) para definir a taxa básica de juros, a Selic. O mercado financeiro projeta o primeiro corte na Selic em dois anos, apesar da pressão sobre os preços dos combustíveis, intensificada pelo conflito no Oriente Médio.

A expectativa majoritária, conforme o boletim Focus, é de uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 15% para 14,75% ao ano. Atualmente, a Selic está no maior patamar desde julho de 2006. Após um ciclo de sete elevações consecutivas entre 2021 e 2022, a taxa se manteve inalterada nas últimas quatro reuniões.

A ata da reunião de janeiro do Copom já indicava a intenção de iniciar os cortes em março. Contudo, o agravamento do conflito no Oriente Médio gerou dúvidas sobre a magnitude do corte, com algumas instituições financeiras chegando a considerar um adiamento. A decisão será anunciada no início da noite de quarta-feira. O comitê estará desfalcado, pois os mandatos dos diretores Renato Gomes e Paulo Pichetti expiraram em 2022, e os substitutos ainda não foram indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso.

Cenário da Inflação

O comportamento da inflação permanece sob análise. A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), acelerou para 0,7% em fevereiro, impulsionada pelos gastos com educação. No entanto, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ficando abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2023.

Ainda segundo o boletim Focus, a estimativa de inflação para 2026 subiu de 3,8% para 4,1% em decorrência do conflito no Oriente Médio. Este valor se aproxima do teto da meta contínua de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (entre 1,5% e 4,5%).

O que é a Taxa Selic?

A taxa Selic, usada nas negociações de títulos públicos, serve como referência para todas as demais taxas da economia e é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando o Copom eleva a Selic, a intenção é desaquecer a demanda, encarecendo o crédito e incentivando a poupança, o que pode conter o aumento dos preços, mas também dificultar a expansão econômica. A redução da Selic, por outro lado, visa baratear o crédito, estimular a produção e o consumo, impulsionando a atividade econômica.

Meta Contínua de Inflação

Em vigor desde janeiro de 2025, o novo sistema de meta contínua de inflação estabelece um objetivo de 3% para o BC, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Nesse modelo, a meta é apurada mensalmente, considerando a inflação acumulada em 12 meses. O Banco Central, em seu último Relatório de Política Monetária, mantinha a previsão de que o IPCA encerrasse 2026 em 3,5%, mas essa estimativa pode ser revista.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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