Governos da França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão publicaram nesta quinta-feira (19) uma declaração conjunta manifestando disposição para contribuir com a reabertura do Estreito de Ormuz. A passagem estratégica, essencial para o transporte global de petróleo, foi fechada pelo Irã após o início da guerra na região.
No comunicado, as nações europeias e o Japão expressam "profunda preocupação com a escalada do conflito" e condenam "recentes ataques do Irã contra embarcações no Golfo e infraestruturas civis, incluindo instalações de petróleo e gás". Eles exigem que o Irã cesse imediatamente as ameaças, o lançamento de minas, ataques com drones e mísseis, e outras tentativas de bloquear a navegação comercial no Estreito, reforçando que a liberdade de navegação é um princípio do direito internacional. A declaração ainda aponta que os efeitos das ações iranianas serão sentidos globalmente, impactando especialmente os mais vulneráveis.
O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, tem abalado os mercados financeiros globais, impulsionando a alta do preço do barril e gerando importantes repercussões econômicas. Quatro dias antes desta declaração, esses mesmos países haviam recusado participar dos esforços dos Estados Unidos e de Israel para reabrir o Estreito, o que irritou o então presidente Donald Trump. A nota conjunta não detalha como seria essa abertura.
O Irã fechou o Estreito de Ormuz em resposta aos ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o país persa, iniciados em 28 de fevereiro. Teerã tem reiterado que a passagem permanece fechada para EUA, Israel e seus aliados, incluindo as potências europeias que apoiam politicamente os ataques, com exceção da Espanha.
Escalada Recente e Contexto da Crise
A guerra na região escalou na quarta-feira (18), quando Israel bombardeou o campo de gás South Pars, no Irã. Em retaliação, o Irã atacou a indústria de energia do Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Esses ataques contra infraestruturas energéticas de importantes produtores de petróleo e gás têm ampliado as incertezas econômicas do conflito.
Entenda o Conflito no Oriente Médio
A ofensiva mais recente entre Estados Unidos e Israel contra o Irã teve início em 28 de fevereiro, com bombardeios à capital Teerã que resultaram na morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei. Seu filho, Mojtaba Khamenei, foi escolhido como novo líder. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra países árabes do Golfo com presença militar norte-americana, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.
A tensão na região é intensificada pela retirada dos EUA do acordo nuclear de 2015, ocorrida no primeiro governo Trump. Washington e Israel acusam Teerã de buscar armas nucleares, enquanto o Irã defende que seu programa tem fins pacíficos. Ao assumir seu segundo mandato em 2025, Trump iniciou nova ofensiva, exigindo o desmantelamento do programa nuclear iraniano, o fim do programa de mísseis balísticos e o encerramento do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah. Israel, por sua vez, nunca permitiu inspeções internacionais em seu próprio programa nuclear.













