Juros Altos e Spreads Bancários Impulsionam Endividamento Recorde de Famílias; Novo Desenrola é Lançado

Juros Altos e Spreads Bancários Impulsionam Endividamento Recorde de Famílias; Novo Desenrola é Lançado

O cenário econômico brasileiro, marcado por uma elevada taxa básica de juros (Selic) e altos spreads bancários, tem impulsionado o endividamento das famílias a níveis recordes. Em resposta a essa crescente pressão financeira, o governo federal lançou nesta semana o Novo Desenrola Brasil, programa que visa renegociar dívidas e facilitar o acesso ao crédito.

Selic e Spreads Bancários Elevam Custos

Economistas apontam que a taxa Selic, definida pelo Banco Central (BC), impacta diretamente os juros cobrados pelos bancos. Quanto maior a Selic, mais caros se tornam os empréstimos para as famílias. Atualmente, o Brasil possui a segunda maior taxa básica de juros reais do mundo, com 9,3% após descontada a inflação, ficando atrás apenas da Rússia.

Além da Selic, o spread bancário — a diferença entre os juros que os bancos pagam e os que cobram dos consumidores — contribui significativamente para o problema. Em março, o spread bancário no Brasil atingiu 34,6 pontos percentuais (p.p.), valor consideravelmente superior à média mundial de aproximadamente 6 p.p., segundo o Banco Mundial. Dados de 2024 do World Open Data indicam o Brasil como o país com os maiores spreads bancários do planeta.

Para pessoas físicas, os bancos cobram uma taxa de juros média de 61% ao ano, enquanto para empresas essa média é de 24%, conforme dados do BC de março. O rotativo do cartão de crédito, por exemplo, pode superar 400% ao ano, evidenciando o alto custo do crédito no país.

Endividamento Familiar Atinge Nível Histórico

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) registrou em abril que 80% das famílias brasileiras estão endividadas, um novo recorde histórico. O índice de famílias inadimplentes, com contas em atraso, manteve-se estável em 29,7%. O impacto é ainda mais severo entre as famílias que ganham até três salários mínimos, onde 83,6% estão endividadas e 38,2% estão com contas em atraso.

A professora de economia da Universidade de Brasília (UnB), Maria Lourdes Mollo, explica que a precarização dos empregos no Brasil, aliada aos juros elevados, força muitas famílias a se endividarem para cobrir despesas essenciais com saúde e cotidiano. A professora Juliane Furno, da UFF, complementa que os altíssimos spreads bancários são uma causa direta desse endividamento.

Novo Desenrola Busca Alívio Financeiro

O Novo Desenrola Brasil, iniciativa do governo federal, foi lançado com o objetivo de auxiliar famílias, estudantes e pequenos empreendedores a renegociar dívidas, limpar o nome e recuperar o acesso ao crédito. A expectativa é que o programa possa liberar parte do orçamento das pessoas e, eventualmente, estimular a economia, conforme avalia Maria Lourdes Mollo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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