O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou nesta quinta-feira (21) que um terreno vendido por empresa de sua família a uma distribuidora de combustíveis, apontada pela Polícia Federal como ligada ao conglomerado Refit, não foi formalmente transferido para a nova proprietária. Segundo o parlamentar, a compradora "não pagou até o final". A declaração contradiz informações da Polícia Federal levadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e o próprio contrato de compra e venda.
Divergência sobre o Negócio Imobiliário
Em entrevista a uma emissora local no Piauí, Ciro Nogueira reiterou que a empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis LTDA, de propriedade de sua mãe, não é de sua sociedade. Ele defendeu que a transação para a venda da área em Teresina foi lícita, mas que a Athena Real Estate LTDA, compradora, não finalizou os pagamentos, impedindo a transferência formal.
A Polícia Federal, por sua vez, na investigação que gerou a Operação Sem Refino, aponta que o pagamento integral de R$ 14,2 milhões à empresa da família do senador foi identificado. Este valor se refere à negociação de uma área de 40 hectares em Teresina, estabelecida em um documento de agosto de 2024.
Contrato e Cronograma de Pagamento
A assessoria de Ciro Nogueira informou que o contrato prevê o pagamento em três parcelas iniciais de R$ 2,5 milhões e, posteriormente, 21 parcelas mensais de R$ 300 mil a partir de fevereiro de 2025. Conforme a assessoria, o prazo para a conclusão do pagamento ainda não se encerrou, justificando a não finalização do negócio. No entanto, uma nota anterior enviada pelo senador dava a compra e venda como concretizada.
Há uma divergência nos valores contratuais. O documento estabelece a negociação em R$ 14,2 milhões, mas a soma das parcelas descritas (três de R$ 2,5 milhões a partir de novembro de 2024 e 21 de R$ 300 mil) totaliza R$ 13,8 milhões.
Contexto da Operação Sem Refino
A Operação Sem Refino, realizada recentemente, investiga um repasse de R$ 14 milhões de um fundo ligado à Refit para a empresa da família de Ciro Nogueira. A Athena Real Estate LTDA foi identificada pela PF como a principal beneficiária do fundo EUV Gladiator, que estaria ligado ao grupo Refit do empresário Ricardo Magro. A polícia aponta que o fundo é uma estrutura utilizada por Magro para blindagem patrimonial e ocultação de bens, sendo a Athena um braço para a compra de imóveis.
O grupo Refit, antiga Refinaria Manguinhos, atua no setor de combustíveis e é suspeito de corrupção e sonegação fiscal. Ricardo Magro é apontado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz de impostos do Brasil, com dívidas que superam R$ 26 bilhões. Embora um ex-assessor de Ciro Nogueira tenha sido alvo de busca e apreensão na Sem Refino, o senador não foi um dos alvos diretos desta operação. No entanto, ele sofreu busca e apreensão no início do mês no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master.
Fonte: https://www.infomoney.com.br













