Após a trágica morte de Guilherme da Guerra Domingos, um salva-vidas de 24 anos que foi sugado por um ralo na atração Water Bomb do Wet'n Wild, em Itupeva (SP), funcionários e ex-colaboradores do parque aquático vieram a público denunciar a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), condições precárias de trabalho e alegada negligência na segurança das atrações.
Relatos de Falhas na Segurança e Condições de Trabalho
Uma funcionária, que preferiu não se identificar, relatou à TV TEM que a atração Water Bomb operava sem uma grelha de proteção na piscina, mesmo sem atender ao checklist de segurança dos colaboradores. Ela acrescentou que oito funcionários tiveram dificuldade para resgatar Guilherme, necessitando de uma ferramenta externa para rasgar a roupa da vítima, que também seria inadequada para a função de salva-vidas.
A mesma fonte apontou a falta de EPIs e a ausência de dignidade no tratamento dos empregados. Segundo ela, o parque não considera o bem-estar dos funcionários e ignorou avisos prévios sobre os riscos. A colaboradora também mencionou que inúmeros acidentes já ocorreram com outros trabalhadores, resultando em afastamentos e lesões graves.
Outra funcionária anônima detalhou que o socorro a Guilherme foi auxiliado por um médico e uma enfermeira que estavam no parque como visitantes, sugerindo despreparo da equipe de plantão do Wet'n Wild. Ela ainda informou que três cilindros de oxigênio no parque estavam pela metade ou foram utilizados em sua totalidade no atendimento.
Ex-funcionário Compartilha Experiências
Um ex-funcionário, também sob anonimato, revelou ter desenvolvido ansiedade e sofrido perseguição durante o período em que trabalhou no parque. Ele descreveu um ambiente de trabalho sob pressão e com receio de que erros fossem atribuídos aos colaboradores. O ex-colaborador expressou desolação pela morte de Guilherme, a quem considerava um irmão, e destacou a crença em falhas nos procedimentos de segurança e checklist das atrações.
Investigação e Posicionamento do Parque
A Polícia Civil de Itupeva intimou um representante do Wet'n Wild para depor na próxima segunda-feira (19) como parte da investigação. O parque aquático permaneceu fechado nesta quarta (14) e quinta-feira (15), com previsão de reabertura para sexta-feira (16).
Questionado, o Wet'n Wild afirmou que todos os drenos do sistema hidráulico da atração Water Bomb possuíam grades de proteção e que a marca segue padrões internacionais de segurança. A empresa declarou que está colaborando integralmente com as investigações da Polícia Civil e prestando o suporte necessário à família de Guilherme.
Fonte: https://g1.globo.com













