A inflação principal do Japão, que exclui alimentos frescos, desacelerou para 2% em janeiro, atingindo o nível mais baixo em dois anos e criando um desafio para a política monetária do Banco do Japão (BOJ). Após a divulgação dos dados, o iene registrou perda de força no mercado.
Os preços ao consumidor, excluindo alimentos frescos, subiram 2% em janeiro na comparação anual, conforme informado pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações. O resultado veio em linha com as estimativas, após uma alta de 2,4% no mês anterior. Já o núcleo da inflação, que também exclui energia e mede a força subjacente dos preços, avançou 2,6%, mantendo-se acima da meta de 2% do BOJ. A inflação cheia, que considera todos os itens, desacelerou para 1,5%, ficando abaixo de 2% pela primeira vez desde março de 2022.
Fatores da Desaceleração
A moderação da inflação japonesa é atribuída, em parte, às medidas fiscais implementadas pelo governo da primeira-ministra Sanae Takaichi, visando aliviar o custo de vida. Em 2025, a inflação excluindo alimentos frescos atingiu 3,1%, marcando o quarto ano consecutivo acima de 2%. Fatores temporários e a evolução dos preços de alimentos também contribuíram para a desaceleração. Medidas governamentais para reduzir os custos de combustíveis, por exemplo, levaram a uma queda de 5,2% nos preços da energia em janeiro. O avanço dos preços de alimentos (excluindo frescos) também perdeu força, influenciado por uma base de comparação elevada.
Reação do Banco Central e Mercado
Apesar do arrefecimento, o Banco do Japão já havia indicado que a inflação poderia desacelerar devido a subsídios e efeitos de base, mantendo seu foco na inflação subjacente. Por isso, os dados divulgados não devem alterar a intenção do banco central de normalizar a política monetária quando as condições permitirem. Parte dos economistas projeta uma nova alta de juros já em abril. No mercado, o iene enfraqueceu para cerca de 155,20 por dólar, partindo de 154,98 antes da divulgação dos dados.
No detalhe dos componentes, os preços de serviços, considerados um fator-chave para a sustentabilidade da inflação, subiram 1,4% em um ano. O arroz, que havia disparado 101,7% em maio do ano passado, avançou 27,9% em janeiro, ainda em trajetória de desaceleração. Já os alimentos excluindo itens frescos subiram 6,2%, o ritmo mais lento desde março passado.
Contexto Econômico e Político
O aumento dos preços dos alimentos tornou-se um tema central no debate político japonês, especialmente após derrotas eleitorais do Partido Liberal Democrata antes da chegada de Takaichi ao poder. A proporção da renda familiar destinada à alimentação atingiu o maior nível em 44 anos, levando a premiê a prometer a suspensão do imposto sobre vendas de alimentos por dois anos. Economicamente, o Japão cresceu apenas 0,1% no último trimestre de 2025, abaixo do esperado, com o consumo privado avançando no mesmo ritmo.
Apesar do cenário de arrefecimento, economistas avaliam que custos trabalhistas mais altos podem sustentar as pressões inflacionárias, levando o Banco do Japão a elevar as taxas de juros ainda neste ano.
Fonte: https://www.infomoney.com.br













