A Federação Única dos Petroleiros (FUP) defendeu, na última quarta-feira, um modelo de transição energética para o Brasil que priorize a reindustrialização do país, a geração de empregos de qualidade e o fortalecimento das empresas estatais. A entidade alertou para a necessidade de evitar a repetição de modelos excludentes.
A posição foi apresentada pelo coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, durante o painel 'Relações de Trabalho, Digitalização e Transição Justa', evento realizado no Rio de Janeiro pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).
Soberania e Política Industrial
Bacelar ressaltou que a transição energética é um tema em disputa, defendendo que o Brasil deve construir um caminho próprio, pautado pela soberania e inclusão social. Ele enfatizou que o processo deve estar alinhado a uma política industrial de longo prazo, com investimentos robustos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), e protagonismo das estatais.
Abordagem Regional e Geração de Valor
O dirigente sindical argumentou que a transição energética brasileira exige atenção às particularidades tecnológicas e potencialidades regionais, a fim de evitar a reprodução de desigualdades. Segundo ele, em um país de dimensões continentais, não existe uma solução única, e as rotas tecnológicas precisam dialogar com as vocações locais. Bacelar defendeu que o Estado coordene este processo, unindo inovação tecnológica ao desenvolvimento regional, para assegurar a redução de emissões, mas também a criação de empregos qualificados, renda e soberania, respeitando as realidades de cada território.
A FUP também destacou a importância da qualificação profissional, do fortalecimento dos serviços públicos e do combate à pobreza energética. A federação alertou, ainda, para a necessidade de ampliar a proteção social às comunidades mais impactadas pela crise climática.
Painel Reúne Especialistas
O painel contou com a participação de Adriana Marcolino, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese); Fabiola Latino Antezano, da Central Única dos Trabalhadores (CUT); e Felipe Pateo, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A mediação foi conduzida pelo jornalista Lucas Pordeus, da Agência Brasil. O seminário teve continuidade nesta quinta-feira, com debates entre especialistas, pesquisadores e representantes dos setores público e sindical sobre os desafios e impactos da transição energética no desenvolvimento nacional.













