O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (19) uma matriz energética limpa em parceria com a Europa e a proteção de empregos frente ao avanço da inteligência artificial. O posicionamento foi feito durante seu discurso na abertura da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, na Alemanha. No evento, Lula também criticou os conflitos globais e o protecionismo comercial.
Proposta de Parceria em Descarbonização
Lula afirmou que o Brasil pode auxiliar a União Europeia na redução dos custos de energia e na descarbonização da indústria. Para isso, ressaltou a importância de que as regras do bloco considerem a matriz energética limpa já empregada nos processos produtivos brasileiros. O presidente argumentou que a criação de barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente, tanto ambiental quanto energeticamente.
O presidente destacou os compromissos brasileiros, como a meta de desmatamento zero na Amazônia até 2030, citando a redução de 50% do desmatamento na Amazônia e 32% no Cerrado nos últimos três anos. Ele mencionou a prioridade na sustentabilidade dos combustíveis, com mistura de 30% de etanol na gasolina e 15% no biodiesel, produzidos de forma sustentável. Adicionalmente, Lula apontou que 90% da energia elétrica do Brasil é limpa e há potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo, além de explorar minérios críticos para a descarbonização e transformação digital.
Economia Verde e Impactos da IA
Lula anunciou que o Brasil implementará, em 2026, um programa focado na economia verde e na indústria 4.0. Contudo, contextualizou esse avanço tecnológico em um cenário geopolítico crítico, marcado por paradoxos, como a dupla face da inteligência artificial: capaz de aumentar a produtividade, mas também utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais.
Defesa do Trabalhador
Em relação ao mercado de trabalho, o presidente mencionou a menor taxa de desemprego na história do país e defendeu o fim da escala 6×1, com redução da jornada para garantir dois dias de descanso. Ele apelou a empresários e pesquisadores para que considerem os impactos das novas tecnologias de inteligência artificial nos trabalhadores globais, afirmando: “Se a inteligência artificial causar o bem que nós queremos, é preciso que nos lembremos que, por trás de cada invenção, tem um ser humano. Se ele não tiver mercado de trabalho, o mundo só tende a piorar”.
Críticas a Conflitos Globais e Comércio
O presidente condenou o que chamou de “maluquice da guerra feita com o Irã”, assegurando que o Brasil é um dos países menos afetados, embora tenha tomado medidas internas para minimizar impactos diante da importação de 30% do óleo diesel. Ele lamentou os gastos de US$ 2,7 trilhões em guerras em um mundo marcado por desigualdades, pedindo responsabilidade aos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
Efeitos sobre os Mais Vulneráveis e Comércio Internacional
Lula alertou que os conflitos no Oriente Médio geram flutuações no preço do petróleo, encarecendo energia e transporte, e causam escassez de fertilizantes, impactando a produção agrícola e a segurança alimentar. Ele enfatizou que os mais vulneráveis são os que pagam o preço da inflação dos alimentos e criticou o ressurgimento do protecionismo como uma “resposta falaciosa”.
Diante da “paralisia” da Organização Mundial do Comércio (OMC), Lula defendeu a “refundação” da entidade. No tema do comércio internacional, ele reforçou a importância do acordo Mercosul-União Europeia, que criará um mercado de quase 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares, e que entrará em vigor em breve.













