Brasil registra 1.347 mortes maternas em 2024; 90% são evitáveis

Brasil registra 1.347 mortes maternas em 2024; 90% são evitáveis

O Brasil contabilizou 1.347 óbitos maternos em 2024 até o momento, mantendo uma razão de mortalidade de 56,4 a cada 100 mil nascidos vivos. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), nove em cada dez dessas mortes são consideradas evitáveis. O país busca reduzir esse índice para 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030.

Cenário Atual e Metas Nacionais

Os dados mais recentes, de 2024, provenientes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus) e consultados no Observatório da Saúde Pública, revelam que a mortalidade materna ainda representa um desafio significativo no Brasil. A meta nacional estabelecida para 2030 visa uma redução substancial do índice, alinhando o país a padrões internacionais de saúde da mulher.

Principais Causas e Prevenção

Entre as causas obstétricas diretas, responsáveis por 66% dos óbitos maternos no país, destacam-se as síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e complicações do aborto. Especialistas enfatizam que a maioria dessas mortes poderia ser prevenida com acesso a um pré-natal de qualidade e assistência adequada durante a gestação, parto e pós-parto.

A Importância do Pré-Natal e da Equipe Multiprofissional

Maria Isabel Peixoto, chefe da Unidade da Saúde da Mulher da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressalta a importância de um pré-natal precoce e bem conduzido. Segundo ela, 'com um pré-natal bem feito, de qualidade, conseguimos, na grande maioria das vezes, entregar uma paciente pronta para um parto monitorizado num local com boa assistência e com um desfecho favorável'. A Maternidade Escola da UFRJ, por exemplo, atua como referência no atendimento a casos de alto risco.

A atuação de uma equipe multiprofissional também é considerada essencial. Renné Costa, enfermeiro obstétrico e membro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), defende a integração de diferentes áreas da saúde para garantir o melhor atendimento à mãe e ao bebê. A ginecologista e obstetra Inessa Beraldo de Andrade Bonomi, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), complementa, apontando a relevância do acompanhamento durante o período pós-parto, conhecido como puerpério, na redução da mortalidade materna.

Impacto da Autonomia na Enfermagem Obstétrica

A autonomia dos enfermeiros obstétricos no parto de baixo risco, amparada pela Lei 7.498 de 1986, tem demonstrado resultados positivos na redução da mortalidade. Renné Costa relata sua experiência em Viçosa, Alagoas, onde a implementação desse modelo levou o número de partos anuais de 80-90 para 600 desde 2009, sem registrar perdas de mães ou crianças em sua atuação. A técnica de enfermagem Fernanda Lopes de Almeida, grávida de 18 semanas, é acompanhada na Maternidade-Escola UFRJ por hipertensão e histórico de diabetes gestacional, exemplificando como um atendimento qualificado e integrado contribui para a segurança da gestante.

Dia Nacional de Conscientização

O Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, celebrado em 28 de maio, reforça a importância de ações contínuas que promovam a saúde integral das mulheres e assegurem os direitos das gestantes e puérperas. A data serve como um lembrete da necessidade de estratégias efetivas para alcançar a meta de redução da mortalidade e garantir mais segurança às mulheres brasileiras.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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