O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição que era controlada pelo Banco Master. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (21), com a medida incluindo a indisponibilidade de bens dos controladores e ex-administradores da financeira.
O que levou à decisão
A decisão do BC foi motivada pelo descumprimento, em 19 de janeiro, de uma grade de pagamentos com a Mastercard Brasil Soluções, resultando no bloqueio da participação da Will Financeira nesse arranjo.
Diante disso, a autoridade monetária considerou a liquidação inevitável. O BC citou o comprometimento da situação econômico-financeira, a insolvência da instituição e o vínculo de interesse com o Banco Master. Anteriormente, havia sido imposto um Regime Especial de Administração Temporária (RAET) ao Banco Master Múltiplo S/A com o objetivo de preservar a Will Financeira, mas essa solução não se mostrou viável.
O contexto do Banco Master
A Will Financeira era parte do conglomerado Master, cujo banco principal já havia sido alvo de liquidação e vinha operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET).
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, destacou-se no mercado por oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com rentabilidade acima da média. Essa estratégia, no entanto, levou o banco a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que, segundo investigações, inflavam artificialmente seu balanço, enquanto sua liquidez real se deteriorava.
Investigações da Polícia Federal e relatórios do Banco Central apontam que o colapso do Master envolveu, além de problemas financeiros, questões institucionais. Há suspeitas de desvio de cerca de R$ 11,5 bilhões entre 2023 e 2024 por meio de triangulações, onde o banco supostamente emprestava a empresas 'laranja' que aplicavam os recursos em fundos da gestora Reag Investimentos.
Esses fundos, por sua vez, teriam adquirido ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do antigo Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), a preços inflacionados. O BC identificou seis fundos da Reag considerados suspeitos, com um patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões, com movimentação de dinheiro entre fundos ligados aos mesmos intermediários.













