O Ministério da Fazenda elevou a projeção de inflação para 2024 de 3,7% para 4,5%, alcançando o limite máximo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A revisão, divulgada nesta segunda-feira (18) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) no Boletim Macrofiscal, reflete os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo. A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), contudo, foi mantida em 2,3% para este ano e em 2,6% para 2027.
O documento orienta a elaboração do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, previsto para ser enviado ao Congresso na sexta-feira (22), que por sua vez direciona a execução do Orçamento federal.
Revisão da Inflação
A principal pressão inflacionária identificada pela equipe econômica é a elevação significativa do petróleo no mercado internacional, que ultrapassou os US$ 110 por barril em meio às tensões no Golfo Pérsico. Segundo a SPE, “a perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados”.
Com a revisão, a projeção oficial de 4,5% atingiu o teto do sistema de metas contínuas de inflação, que prevê um centro de 3% e um intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Para 2027, a estimativa de inflação também foi ajustada para cima, passando de 3% para 3,5%.
O governo ressaltou que parte desse impacto deverá ser mitigada pela valorização do real e por medidas adotadas para reduzir o repasse dos combustíveis ao consumidor.
PIB Mantido
Apesar da deterioração do cenário inflacionário, o Ministério da Fazenda manteve as projeções de crescimento econômico em 2,3% para 2024 e em 2,6% para 2027, patamar esperado para os anos seguintes. A avaliação da equipe econômica indica que o ritmo da atividade deverá desacelerar nos próximos trimestres, impactado pelos efeitos da política monetária restritiva, mas com uma retomada gradual no fim do ano.
Para o primeiro trimestre, a projeção agregada foi preservada, embora com alterações na composição: a indústria contribuiu menos, os serviços ganharam participação e a agropecuária manteve sua contribuição. O governo antevê uma desaceleração mais acentuada no segundo e terceiro trimestres, seguida de recuperação parcial da indústria no encerramento do ano.
Divergência com o Mercado Financeiro
As estimativas do governo permanecem mais otimistas em comparação com as projeções do mercado financeiro. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central com instituições financeiras, os analistas preveem uma inflação de 4,92% para este ano e um crescimento econômico de 1,85%.
A Secretaria de Política Econômica afirmou que monitora os riscos internacionais, mas destacou a resiliência do mercado de trabalho brasileiro como um fator de sustentação da atividade econômica.
Impacto na Arrecadação Federal
A elevação dos preços do petróleo também poderá gerar um reforço nas receitas do governo federal. Cálculos da SPE indicam que o choque nos preços da commodity pode elevar a arrecadação em aproximadamente R$ 8,5 bilhões por mês. Esse valor considera receitas provenientes de royalties, dividendos, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Exportação, todos ligados ao setor petrolífero.
A SPE concluiu que o ganho arrecadatório “viabiliza uma resposta fiscal firme e responsável, aliada da política monetária e do compromisso com a consolidação em curso”.













