A Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegal o pacote de tarifas imposto pela gestão do ex-presidente Donald Trump, gerando uma reação imediata nos mercados financeiros globais. No Brasil, a notícia chegou quando a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) operava em baixa e o dólar em alta. A B3 rapidamente reverteu a tendência, fechando pela primeira vez na história em 190.534 pontos. Simultaneamente, o dólar registrou queda, sendo negociado a R$ 5,17, o menor valor desde 28 de maio de 2024, perdendo força em relação a todas as moedas de países emergentes.
Impacto Imediato nos Mercados Financeiros
O cenário de menor incerteza impulsionou o mercado brasileiro, conforme explica o economista Daniel Teles, sócio da Valor Investimento. "Eu diria que o mercado fica um pouco mais calmo, com menos incerteza. E isso acaba contribuindo para o andamento da nossa bolsa e para a entrada de dólar. O que também faz com que o preço da moeda caia versus o real", afirmou. Fundos globais responderam rapidamente, intensificando a compra de ações de empresas exportadoras e de títulos da dívida brasileira.
Repercussão nos Setores Produtivos
Os setores produtivos brasileiros, que desde abril do ano passado enfrentavam sobretaxas de 10% e, posteriormente, de 40% em julho sobre diversos produtos, começam a recalcular suas estratégias. Produtos importantes para a pauta de exportação, como frutas, carnes e café, foram afetados, embora itens como aviões civis e petróleo tivessem sido isentos. Um acordo em novembro havia derrubado a tarifa de 40% para alguns desses produtos, mas a Confederação Nacional da Indústria (CNI) acompanha o desdobramento com cautela, lembrando que tarifas sobre aço e alumínio, por exemplo, permanecem em vigor.
Apesar das ressalvas, a decisão é vista como positiva pelo setor do aço, que, mesmo ainda sobretaxado, entende que a medida alivia a pressão sobre toda a cadeia produtiva. A indústria têxtil, que chegou a ser tarifada em até 50%, demonstra alívio. Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), pontua que a medida "nos coloca em um nível igual dos outros países", mas ressalta a necessidade de aguardar a dimensão real do impacto, incluindo a reimposição de 10% por cinco meses.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) expressa esperança na continuidade das negociações para a eliminação total das tarifas. O presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, revisou as projeções: "Para 2026, nós estávamos prevendo uma queda de 25% das vendas para os Estados Unidos. Agora, com o fim do tarifaço, as nossas expectativas mudam. A gente pode pensar até em um crescimento da ordem de 10%, que foi o que nós perdemos no ano passado".
Avaliação do Governo Brasileiro
O ministro da Indústria e Comércio e vice-presidente, Geraldo Alckmin, classificou a decisão da Suprema Corte americana como altamente positiva para o Brasil. "A gente pode aumentar bastante agora a parceria comercial com os Estados Unidos, aumentar as trocas comerciais, a complementaridade econômica", afirmou Alckmin. Ele destacou que, apesar de já haver uma redução nas onerações devido a conversas anteriores, 22% da exportação brasileira ainda era afetada, e a medida "abre uma oportunidade ótima para maior complementaridade econômica, ganha-ganha, investimentos recíprocos".
Fonte: https://g1.globo.com













