Presidente do TST categoriza juízes como ‘azuis’ e ‘vermelhos’ e detalha significado em discurso

Presidente do TST categoriza juízes como ‘azuis’ e ‘vermelhos’ e detalha significado em discurso

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, utilizou as cores "azul" e "vermelho" para diferenciar juízes trabalhistas durante um discurso na última sexta-feira, 1º de março, em Brasília. A declaração, inicialmente interpretada em redes sociais como uma alusão à polarização política, foi contextualizada por Mello Filho como uma distinção entre magistrados que atuam por "interesse" e aqueles movidos por uma "causa".

A fala ocorreu no encerramento do 22º Congresso Nacional da Magistratura do Trabalho (Conamat). Vídeos de um trecho do discurso circularam nas redes sociais, gerando a interpretação de que o presidente do TST se referia à divisão entre defensores do governo e oposição, simbolizados pelas respectivas cores.

No entanto, a íntegra do discurso mostra que Mello Filho explicitou sua intenção. "Não tem juiz azul nem vermelho. Sou do tempo em que todos nós, com os nossos diferentes pensamentos, trabalhamos para o desenvolvimento, fortalecimento e crescimento da Justiça do Trabalho", disse. Em seguida, ele reforçou: "Eu diria que não tem azul ou vermelho. Tem quem tem interesse, tem quem tem causa. Nós vermelhos temos causa, não temos interesse. […] não tenho preocupação com os azuis, mas com os vermelhos". Mello Filho explicou que a "causa" à qual se refere é a defesa da instituição e das pessoas vulneráveis.

Defesa da Justiça do Trabalho

No mesmo discurso, o presidente do TST defendeu a Justiça do Trabalho contra críticas que a apontam como um "empecilho ao desenvolvimento socioeconômico", qualificando tais argumentos como "terraplanismo jurídico". Ele também expressou apoio aos sindicatos e criticou a pejotização, descrevendo-a como uma "fraude" à legislação trabalhista.

O Conamat reuniu mais de 300 participantes para debater o tema "Justiça do Trabalho independente para um mundo em transição: sustentabilidade, inteligência artificial e trabalho protegido". Painéis abordaram temas como os impactos da precarização, informalidade e transformações tecnológicas, além da crise climática no mundo do trabalho.

Posicionamento anterior

Mello Filho assumiu a presidência do TST em setembro do ano passado. Em seu discurso de posse, ele já havia criticado alterações na legislação trabalhista de governos anteriores que limitaram o acesso à Justiça do Trabalho, enfatizando a importância de resguardar os valores constitucionais.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do presidente do TST e aguarda posicionamento.

Fonte: https://www.infomoney.com.br

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