O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira (14) que a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras, configura um "caso de polícia", recusando-se a comentar os detalhes do assunto.
A afirmação foi feita durante visita do presidente à fábrica de fertilizantes nitrogenados Fafen, em Camaçari (BA). Lula disse aos jornalistas: "Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia".
A Investigação e as Acusações
A situação em questão foi revelada em reportagem do portal The Intercept Brasil. A matéria aponta que Flávio Bolsonaro teria articulado o repasse de R$ 134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, então ligado ao Banco Master, para financiar a produção de um filme sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Daniel Vorcaro está preso, suspeito de liderar uma organização criminosa que praticava fraudes financeiras. O Banco Master teve sua liquidação decretada pelo Banco Central no final do ano passado, após a constatação de incapacidade da instituição em honrar depósitos. O pai do banqueiro, Carlos Alberto de Oliveira, também foi detido, acusado de liderar uma suposta "milícia pessoal" de Vorcaro, no âmbito da Operação Compliance Zero.
A reportagem do Intercept divulgou um áudio do próprio senador, no qual ele menciona a importância do filme e a necessidade de recursos para pagar "parcelas para trás". Mensagens de WhatsApp e documentos bancários indicariam que parte do valor teria sido pago em meses anteriores, por meio de transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos, gerido por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.
As últimas conversas entre o senador e o banqueiro, conforme a reportagem, datam do início de novembro do ano passado, período que antecedeu a liquidação do Banco Master e a prisão de Vorcaro pela Polícia Federal. Atualmente, o banqueiro negocia um acordo de delação premiada.
Deputados federais da base governista apresentaram denúncias à Polícia Federal e à Receita Federal para que sejam apuradas possíveis ilegalidades nas transações e se os recursos podem estar relacionados a algum tipo de propina.
A Defesa de Flávio Bolsonaro
Horas após a publicação da reportagem, Flávio Bolsonaro admitiu ter solicitado recursos e mantido relação com Vorcaro, mas defendeu que a questão era de caráter privado. "É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, declarou o senador.
Ele alegou ter conhecido Daniel Vorcaro em dezembro de 2023, após o término do governo Bolsonaro e antes que houvesse acusações públicas contra o banqueiro. O contato teria sido retomado em função de atrasos no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. O senador negou ter oferecido vantagens indevidas, promovido encontros fora da agenda, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro ou qualquer benefício. Ele reiterou o pedido por uma CPI do Master.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro repetiu os mesmos argumentos e afirmou que Vorcaro deixou de honrar as parcelas pendentes do patrocínio, mencionando a existência de um contrato assinado para esses repasses. No entanto, ele não forneceu detalhes sobre o suposto documento.













