O dólar encerrou a sexta-feira (15) em alta, negociado a R$ 5,067, marcando o maior patamar em um mês. Simultaneamente, a bolsa brasileira registrou queda, refletindo a aversão ao risco provocada por turbulências no cenário internacional e por incertezas políticas domésticas.
A moeda norte-americana valorizou-se em R$ 0,081 (+1,63%) no dia. Ao longo do pregão, a cotação chegou a atingir R$ 5,08 por volta das 13h, antes de desacelerar. Na semana, o dólar acumulou alta de 3,48%, alcançando o maior valor desde 8 de abril.
O Índice Ibovespa, da B3, fechou aos 177.284 pontos, com queda de 0,61%. O mercado acionário operou sob pressão durante toda a sessão, impactado pelo ambiente externo mais defensivo e pelo aumento das preocupações fiscais e políticas no Brasil. O índice chegou a recuar mais de 1% pela manhã, mas conseguiu reduzir parte das perdas no decorrer do dia, impulsionado pelas ações da Petrobras.
Fatores Externos Impulsionam Alta do Dólar
A valorização do dólar foi impulsionada por uma combinação de fatores internacionais. Investidores elevaram as apostas de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, poderá aumentar os juros diante da persistência da inflação global. Essa percepção foi reforçada pelo aumento dos juros dos títulos públicos do Japão, que atingiram o maior nível desde 1999 após a aceleração da inflação ao produtor para 4,9% em abril.
A perspectiva de elevação dos juros pelo Banco do Japão levou à desmontagem de operações de carry trade, onde recursos captados em países com juros baixos são investidos em mercados de taxas mais altas, como o Brasil. A reversão desse fluxo resultou no fortalecimento do dólar e na retirada de capital de economias emergentes. Em Nova York, o S&P 500 também recuou 1,23%, refletindo a expectativa de juros mais altos por mais tempo nos EUA.
Petróleo Dispara com Tensões no Oriente Médio
Os preços do petróleo registraram alta de mais de 3%, impulsionados pelo agravamento das tensões no Oriente Médio e pela ausência de avanços nas negociações sobre o Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial. O barril do Brent, referência internacional, subiu 3,35%, fechando a US$ 109,26, enquanto o WTI do Texas avançou 4,2%, encerrando a US$ 105,42.
O mercado reagiu a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o esgotamento de sua paciência com o Irã, e à resposta do chanceler iraniano, Abbas Araqchi, que afirmou não confiar nos americanos. O prolongamento da crise no Golfo Pérsico mantém a preocupação com a inflação global em alta, exercendo pressão sobre os juros e aumentando a volatilidade nos mercados financeiros.
Cenário Político Interno Aumenta Cautela
No Brasil, o mercado acompanhou os desdobramentos políticos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Investidores interpretaram que o aumento das incertezas no cenário político doméstico ampliou a busca por proteção na moeda americana. Adicionalmente, reportagens divulgadas, como a do site Intercept Brasil sobre as relações do deputado cassado Eduardo Bolsonaro com o Banco Master, contribuíram para a cautela nos ativos brasileiros.













