A ministra da Cultura, Margareth Menezes, defendeu que o investimento em cultura possui potencial para qualificar e emancipar a população, gerando emprego e renda. A declaração foi feita durante sua participação na 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada em Aracruz (ES), evento que abordou a justiça climática e o papel dos saberes tradicionais na preservação da biodiversidade.
Cultura e Justiça Climática
Durante o encontro, que ocorreu de 19 a 24 de novembro, a ministra ressaltou a importância dos saberes tradicionais e populares, transmitidos por gerações, como um modo de vida aliado à preservação ambiental. Representantes de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades periféricas debateram, junto a autoridades governamentais, caminhos para mitigar os efeitos da crise climática a partir de suas práticas culturais. Menezes enfatizou a capacidade da cultura de auxiliar na mudança de comportamento humano em relação à natureza, utilizando as linguagens das artes e as memórias de preservação já existentes.
Valorização de Culturas Tradicionais e Indígenas
A ministra sublinhou que esses grupos representam a identidade da cultura brasileira, sendo guardiões de conhecimentos transmitidos de geração em geração. Ela destacou a grande colaboração dos povos originários e de matriz africana na formação social, cujo legado é fundamental para a cultura nacional. A valorização dessas culturas é essencial para dar à natureza a importância que ela merece, garantindo a sobrevivência de ambos, seres humanos e meio ambiente.
Novas Políticas e Plano Nacional para Culturas Indígenas
A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura marcou o primeiro encontro para a construção do Plano Nacional das Culturas Indígenas. Além disso, foram assinados atos normativos direcionados a atores da cultura tradicional e popular, incluindo mestres e mestras. O decreto da Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares visa estabilizar e ampliar as políticas públicas para a cultura popular, garantindo maior proteção, qualidade e investimento nessa base da produção cultural brasileira.
Sobre os mestres e mestras, Margareth Menezes apontou a luta antiga por sua profissionalização e por políticas específicas. Ela frisou que eles representam a memória e a excelência cultural, detentores de conhecimentos que, sem o devido cuidado, correm risco de serem perdidos. O Plano Nacional das Culturas Indígenas será construído por meio de diálogo e escuta, envolvendo a participação imperativa dos povos originários e do Ministério dos Povos Indígenas, reconhecendo a diversidade de 300 línguas indígenas ainda preservadas no Brasil.
Impacto do Retorno da Teia Nacional
A realização da 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, após 12 anos da última edição, reforça a retomada e o fortalecimento de um espaço crucial para o debate e o reconhecimento das diversas manifestações culturais do país.













